Fato ou "fake" - o mundo e as notícias

23 de outubro de 2018

A Open Arms (Braços Abertos, ONG Espanhola que ajuda refugiados) agora acusa a Itália: “Culpa vossa os imigrantes mortos”

 

Esta manchete é do “Il Gionale.it” de 30/06/2018 e traz uma grave acusação sobre o tratamento dado pelo Governo Italiano, através da nova política do Ministro das Relações Exteriores, Matteo Salvini, aos milhares de imigrantes ilegais que fogem das guerras na Síria, Líbia e outros países da região, inicialmente impedidos de entrar diretamente em território italiano, inclusive com grandes operações de salvamento e acolhimento que vinham sendo praticadas até então. Salvini, cumprindo promessas de campanha eleitoral, passou a impedir o desembarque livre e com apoio de autoridades da Marinha Italiana, como víamos frequentemente nos últimos anos.

 

Não obstante o natural direito dos imigrantes a uma vida digna, com o mínimo de conforto, segurança, e não serem abandonados à própria sorte em alto mar – mesmo que, em muitos casos, sejam explorados por outros tantos aproveitadores da desesperança alheia – o que questionamos são os motivos que levam às distorções, às inverdades sobre fatos e acontecimentos que não fazem nenhum sentido, a não ser que estes agentes, que se dizem defensores de causas e projetos justos e bem intencionados, estejam a serviços de entidades ou grupos que exploram e lucram exatamente a desgraça alheia e chegam até a criar “fake news” para justificar suas ações, o que acabou ficando comprovado neste caso dos falsos náufragos fotografados em cenas montadas.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Outro fato que nos chamou atenção nestes últimos dias e que ganhou espaço nas “inocentes” redes sociais, foi a famosa foto de um grande barco cheio de imigrantes que estaria chegando aos USA, no ano de 1945 e que foi usada, comentada e compartilhada por centenas e até milhares de pessoas – até pessoas do nosso convívio – como um exemplo de que um dia nós também fomos imigrantes, embarcados aos milhares e sem as mínimas condições de higiene e segurança, numa onda de críticas ao que aconteceu há mais de 130/140 anos, natural comparação com os atuais pobres náufragos africanos e de outras nacionalidades ao Sul da Europa que, semanalmente, correm risco de vida para tentar entrar em território europeu, iniciando a jornada pelo Mediterrâneo (que um dia foi chamado de Mare Nostrum, mas, atualmente, tornou-se Mare Mortuum, em razão das milhares de mortes que ocorrem ali), posteriormente, buscando destinos, na Itália, França, Alemanha e outros onde, muito provavelmente, já tenham algum contato ou parente. Estas aventuras para superar a fronteira geográfica tem em vista uma ideia de segurança, já que os náufragos buscavam uma “migração securitária”, contra conflitos bélicos, terrorismo, perseguições, calamidades naturais ou até alimentares que seguidamente são noticiadas na sua origem. O objetivo é chegar, tentando conseguir refúgio ou mesmo um visto humanitário.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O grande risco de não fazer uma análise atenta ao que se lê, vê e ouve, especialmente nas mídias sociais, é que se pode estar ajudando a proliferar uma notícia, acompanhada de imagens igualmente falsas, como é o caso da famosa foto que seria de imigrantes italianos chegando aos EUA, notadamente à Ellis Island, porto de entrada e quarentena de quase todos os imigrantes chegados neste período. Na verdade, a imagem é do navio Queen Mary, que retornava sim da Europa aos EUA, logo após o fim da II Guerra Mundial, com milhares de soldados americanos, felizes e festejando o retorno à casa no New York Harbor, alguns dias depois do Dia da Vitória.

 

 Não faltaram os comentários críticos e pontuais de que um dia nós fomos imigrantes empilhados em barcos, sem nenhum conforto, higiene e segurança e agora estamos nos recusando a receber e ajudar aquelas pobres criaturas que também se jogam ao mar, na esperança de dias melhores em outras terras, menos pobres e violentas daquelas que deixaram para trás, assim como nossos antepassados fizeram aos milhares.

 

E, quando lembramos as “fake news” usadas indiscriminadamente na última eleição americana em 2016, contra a candidata democrata Hillary Clinton, pelo atual Presidente, multimilionário Donald Trump, com a praticamente já comprovada ajuda dos espiões e parceiros russos aos republicanos até hoje negada, mas cada vez mais confirmada pelas investigações em curso pelos órgãos ainda sérios da justiça norte-americana, podemos imaginar como isso está disseminado em todo o mundo cibernético de informação e contra-informação que atende aos interesses de determinados grupos, ávidos e prontos a conquistar o poder a qualquer custo.

 

O assunto das “fake news” já ganhou a devida manifestação do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) que, antecipando as possíveis notícias falsas que dizem respeitos às próximas eleições gerais brasileiras previstas para outubro de 2018, indica que está atento e que combaterá a proliferação deste tipo de comportamento dos candidatos e suas equipes, o que já estamos verificando diariamente, numa verdadeira babel de informações, falsas acusações e tentativas de combater uma corrente política, ao mesmo tempo que se busca evidenciar outra, num verdadeiro jogo sujo de alavancar ou destruir um candidato, o que levou o Facebook a retirar do ar quase 200 páginas ligadas a movimentos de determinada inclinação política, em razão da postagem e divulgação de grande quantidade de “fake news”, o que demonstra a gravidade do assunto e o risco de prejuízos à imagem ou capital político de candidatos, partidos e até instituições.

 

Com este cenário de proliferação indiscriminada da informação, seja ela do tipo e origem que for, com o potencial dano que pode causar, já que boa parte é “mentira”, não nos resta outra alternativa senão analisar muito bem o que consumimos diariamente e, caso a tentação de “compartilhar” buscando “ferrar” alguém seja incontrolável, tomemos cuidado, porque também podemos estar, inocentemente, cometendo um crime.

 

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