LUIS MOLOSSI

Reversão da taxa da cidadania: Uma “forcinha” de 30% não nos parece motivo para tanto entusiasmo

25 de novembro de 2016 – 11:50

    • "(...) Mas, considerando o respeito que temos pelas lideranças que foram eleitas para defender nossos interesses junto ao Governo Italiano, esperamos que o aniversário de 2 anos da taxa que nos foi “imposta” – sem qualquer contrapartida, como todos somos testemunhas – seja o último e que, como já anunciado e prometido pelos nossos parlamentares, antes mesmo do final do ano de 2016, tudo estará solucionado, com o uso integral dos recursos que são pagos aqui na melhoria destes mesmos serviços públicos aqui. Isto trará, pelo menos, algum alívio no drama de consciência que enfrentam os criadores e defensores da taxa e – no que realmente interessa e importa – a necessidade de um atendimento, pelo menos, decente nas demandas dos nossos cidadãos.(...)” Nada para comemorar, por enquanto... “ (Revista Insieme 212, Setembro/2016)

 

Isto, escrito ainda em setembro de 2016, continua sendo aplicável à notícia hoje bradada aos quatro cantos do mundo, como uma grande e bela novidade e que parece a solução de todos os problemas. Mas não é; e sequer se sabe se isso realmente será feito porque ainda não aprovada em definitivo, como serão efetivamente aplicados estes recursos e quanto isso representará em resultados práticos.

 

Para isso – e caso seja realmente aprovada a medida – precisaremos esperar mais dois anos de aniversário para alguma estatística confiável, a exemplo da famosa taxa em vigor há pouco mais de dois anos e sem nenhuma melhoria nos serviços consulares, como todos constatamos.

 

Todo o resto é a costumeira fumaça, uma tentativa de dar alguma satisfação das atividades parlamentares aos eleitores que precisam ser constantemente cativados. E, naturalmente, uma “forcinha extra” do governo Renzi aos novos importantes eleitores do exterior justamente agora, no momento crucial, às vésperas da votação do pretendido 'Sim' no referendum de 04/12/16, cujo resultado pode determinar o fim das poltronas, tão caras (em ambos os sentidos) aos nobres parlamentares eleitos no Brasil, e que não imaginavam, de maneira alguma, ter que enfrentar uma eleição, 2 anos antes do prazo, já que tudo indica que vencerá o 'Não'. E o apoio incondicional ao atual governo, em várias votações contrárias aos próprios interesses dos próprios eleitores, completa o quadro das incongruências que assistimos.

 

Uma “forcinha” de 30% do total dos 300,00 euros que deveriam ser destinados à rede consular no exterior não nos parece motivo para tanto entusiasmo. É contentar-se com muito pouco, nem mesmo a metade do que deveria ser por direito. Para quem luta por 100%, é mais próximo do zero que do cem.

 

 

Luis Molossi é advogado em Curitiba e Coordenador do Maie - Movimento Associativo Italiani all'Estero  no Brasil

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